quinta-feira, 19 de maio de 2016

Autorretrato



Me perguntaram porque eu amo o frio e não pude responder, apenas sorri.
Eu amo a liberdade de poder colocar meu casaco, sem ter que explicar.
Eu amo a dor cravada em minha pele calando o grito desesperado de minha'alma.
Quanto mais eu me conheço, mais descubro que não sei nada sobre mim.
Sei que udo que sinto é intenso, e nada tem motivo.
Não ha um começo, meio ou fim.
Um emaranhado de sentimentos, um eterno caos,
Sufocada nas minhas prisões mentais, pensamentos que não se calam.
A eterna abstinência de um equilíbrio utópico.
Eu sou um oceano, calmo e tranquilo,
Mar quando se fundar em minhas águas uma tempestade, uma tormenta.
As vezes gostaria de deixar tudo para tras e partir sem rumo,
Em algum lugar onde eu pudesse respirar sem essa sensação de estar sendo sufocada o tempo inteiro.
As vezes me pergunto,
Qual a sensação de conseguir sentir o ar em seus pulmões?
Qual a sensação de relaxar?
Qual a sensação de simplesmente não pensar em nada?
É como se eu estivesse presa em minhas próprias entranhas,
E parece que não há uma saída.
Me perco, me prendo, denro de mim mensa.
Navego em minhas paranóias. Me sufoco em minha solidão.
Eu me afogo na minha intensidade,
Um constante grito abafado pelo meu silêncio.
Minha alma se desespera,
O meu corpo não expressa.
Meus olhos refletem o vazio.

Há muito tempo não mais vivo, apenas existo.


Às vezes parecia
Que de tanto acreditar
Em tudo que achava tão certo
Teria o mundo inteiro
E até um pouco mais
Faria floresta do deserto
E diamantes de pedaços de vidro

Mas percebo agora que o meu sorriso
Vem diferente, quase parecendo me ferir

Não queria estar assim
Quero a minha força como era antes
O que tenho é só meu, e de nada vale fugir
E não sentir mais nada

Às vezes parecia que era só improvisar
E o mundo então seria um livro aberto
Até chegar o dia em que tentei ter demais
Vendendo fácil o que não tinha preço

Eu sei é tudo sem sentido
Quero ter alguém com quem conversar
Alguém que depois não use o que eu disse
Contra mim

Nada mais vai me ferir
É que eu já me acostumei
Com a estrada errada
Que eu segui e com a minha própria lei

Tenho o que ficou
E tenho sorte até demais
Como sei que tens também


Releitura de Andrea Doria - Legião Urbana