segunda-feira, 25 de março de 2013

Quando Deus falou comigo...



Há muito tempo eu fujo dos problemas.
Mas hoje entendi que nunca vou conseguir.
Onde quer que eu vá eles estarão comigo, são como uma sombra.
Não adianta correr, eu sempre os carregarei comigo.
A única saída é enfrentar.
Hoje tive vontade de chamar minha mãe e meu pai pra conversar.
E não consegui.
Foi aí que entendi o que é o amor.
Tive vontade de me matar hoje.
É, é fraqueza.
Mas não fiz.
Não porque sou forte, nada disso.
Porque eu já morri.
Há muito tempo não mais vivo, apenas existo.
Há muito tempo eu venho me esquivado de encarar os fatos e a realidade.
Eu apenas existo.
Estagnei minhas estruturas em um ponto e já não mais consigo me mover.
E porque? Não sei.
Mas olhei pra mim. E percebi que cheguei ao limite. Ao fundo do poço.
Me tornei alguém que desprezo.
Seempre fui esforçada, estudiosa, sempre fui batalhadora, meus professores apostavam as fichas em mim e diziam que eu iria longe.
E não cheguei a lugar nenhum.

Eu quis colo, mas não tive coragem de chamar minha mãe no facebook, ela está tão feliz, não quero mais uma vez preocupá-la, trazer aflições e mais decepções.
Meu pai chegou, mas não tive coragem de desabafar, ele já tem tantos problemas, já desistiu de mim.

Foi aí que quis me matar.

Mas não tive coragem, pensei em meus pais, no fardo que carregariam, e como eles se culpariam por isso. Não é culpa deles, e eu jamais poderia estragar a vida das pessoas que mais amo pelas minhas próprias frustrações, pelos meus próprios erros.

Aí Deus falou comigo. Sentei no computador pra escrever um texto e alguém que eu NUNCA tinha conversado no facebook me mandou essa imagem, do começo do post. Eu desabei.
Eu descobri aonde errei, e aonde falhei esse tempo todo.

Orei, e dentro do meu coração ouvi uma voz que dizia. Lute, você ainda pode ser tudo aquilo que deseja ser. Não precisa carregar esse fardo.
E então pela primeira vez os meus dias não foram feitos pra dormir e as madrugadas pra chorar.
Depois de dois dias sem comer, eu me alimentei, e entendi que não tinha perdido a fome física e sim a fome de viver...

Um comentário:

Anônimo disse...

gostei desse blog, ainda não conhecia (apesar de visitar dezenas de blogs de borders). vi você divulgando no agonizante orkut. vou casar com uma border e tudo relacionado ao transtorno me interessa. espero que você esteja fazendo seu tratamento direitinho. os sintomas vão diminuindo com o passar dos anos, além de você aprender a lidar com as pessoas (e elas aprendendo a lidar contigo). não abandone o blog, como vários borders fizeram. é uma forma ótima de se expressar e aliviar o sofrimento, além de ajudar pessoas que sofrem com o transtorno e parentes/amigos/parceiros. um beijo, cuide-se.